Drone ‘copiado’ do Irã redefine a estratégia militar dos EUA
Estratégia militar – A forma como as guerras são travadas está passando por mudanças profundas, impulsionadas pela ascensão de tecnologias acessíveis e letais. De acordo com uma reportagem publicada pelo The New York Times neste sábado (7), o uso de drones baratos e fabricados em massa tem desafiado diretamente as tecnologias militares tradicionais, marcadas por custos multibilionários e processos burocráticos lentos.
Recentemente, as forças militares dos Estados Unidos utilizaram pela primeira vez em combate o LUCAS (sistema de combate não tripulado e barato), um drone desenvolvido pela startup SpektreWorks. O projeto é fruto de um processo de engenharia reversa sobre o drone iraniano Shahed. A operação, executada na última semana, teve como alvo infraestruturas e sistemas de defesa aérea no Irã.
LEIA: IA já é parte do cotidiano de 58% dos trabalhadores, aponta pesquisa
A adoção do LUCAS reforça uma transição estratégica significativa no Pentágono. O órgão passou a priorizar a produção em massa de armas baratas e descartáveis, afastando-se do foco exclusivo em sistemas de altíssimo custo. A decisão surgiu após militares americanos perceberem que o drone original do Irã era tão simples, barato e eficaz que seria vantajoso fabricar uma versão própria. O objetivo é utilizar esses drones para atacar alvos no próprio Irã e, principalmente, sobrecarregar suas defesas aéreas.
O drone iraniano Shahed, que serviu de base para o modelo americano, tornou-se uma arma temida por sua capacidade de causar pânico e desestabilizar economias. Com cerca de três metros de comprimento, o equipamento custa aproximadamente US$ 35 mil (cerca de R$ 184 mil) e pode voar centenas de quilômetros de forma autônoma após a inserção das coordenadas.
Embora apresentem vantagens como a rapidez de fabricação, o LUCAS foi desenvolvido em apenas 18 meses, e a capacidade de forçar o inimigo a gastar fortunas em defesa, esses drones possuem limitações. Eles são lentos, barulhentos, carregam poucos explosivos e são vulneráveis a interferências eletrônicas que podem interromper sua navegação.
A nova lógica de guerra estabelece um embate direto entre o “barato” e o “caro”. Enquanto um drone como o LUCAS custa US$ 35 mil, um míssil de cruzeiro Tomahawk exige um investimento de cerca de US$ 2,5 milhões (R$ 13 milhões). A defesa contra essas ameaças é ainda mais onerosa: um único disparo para derrubar um Shahed pode custar até US$ 3 milhões (R$ 16 milhões). Além disso, por serem pequenos e lentos, esses drones frequentemente “enganam” os radares, que os confundem com pássaros ou aviões civis.
Este cenário é visto como uma evolução do que já ocorre na guerra na Ucrânia. De um lado, a Rússia já possui fábricas próprias de drones estilo Shahed, implementando melhorias que foram compartilhadas de volta com o Irã. Do outro, a Ucrânia se tornou a maior especialista mundial em neutralizar essas ameaças, utilizando desde metralhadoras até sensores acústicos que detectam o som característico de “motor de cortador de grama” produzido pelos drones.
O futuro desta modalidade de combate indica uma expansão ainda maior. O governo dos EUA já destinou US$ 1,1 bilhão (R$ 6 bilhões) para um programa focado na construção de milhares de drones de ataque. Segundo o NYT, o próximo passo é a integração da inteligência artificial (IA), permitindo que essas máquinas se tornem ainda mais independentes, voem em “enxames” ou acompanhem aviões de caça pilotados por humanos, consolidando uma nova era para a indústria de defesa inspirada na agilidade do Vale do Silício.
(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik/vecstock/Imagem gerada por IA)
Sentimento de insatisfação na carreira nem sempre está ligado apenas ao cansaço, explicam especialistas
Criminosos estão comprometendo ferramentas usadas por desenvolvedores, criando ciclo de infecções capaz de atingir milhares…
Estudos apontam mudanças em áreas do cérebro ligadas à aprendizagem, memória e tomada de decisões