Fiocruz e empresa chinesa fazem parceria para desenvolver ‘Ozempic do SUS’
Ozempic – A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vai conduzir pesquisas em parceria com a biofarmacêutica chinesa Gan & Lee Pharmaceuticals para desenvolver medicamentos análogos ao hormônio GLP-1, substância produzida naturalmente no intestino que ajuda a regular o apetite, a glicose no sangue e a saciedade. O mesmo mecanismo é utilizado em fármacos como Ozempic e Wegovy, voltados ao tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.
A iniciativa surge após a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) rejeitar, em agosto, a inclusão de medicamentos à base de semaglutida e liraglutida no Sistema Único de Saúde (SUS), alegando alto custo. O parecer analisou um pedido da farmacêutica Novo Nordisk para incluir canetas Wegovy e Saxenda, que custam, em média, R$ 1 mil cada.
LEIA: Economize até 25% na sua conta de luz com Bee Fenati e Matrix
O acordo foi assinado nesta terça-feira (14) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e pela vice-presidente da Fiocruz, Priscila Ferraz. Além dos estudos sobre o GLP-1, o documento também prevê o desenvolvimento de pesquisas e produtos voltados ao tratamento de cânceres e doenças autoimunes.
“Acreditamos que este projeto será um modelo de colaboração internacional, capaz de incentivar novas alianças entre empresas chinesas e brasileiras e, principalmente, de contribuir para que mais pacientes tenham acesso a terapias seguras e modernas”, afirmou o CEO da Gan & Lee, Wei Chen.
Produção de insulina
O memorando amplia uma parceria firmada em setembro entre o Ministério da Saúde e a empresa chinesa para viabilizar a produção nacional de insulina glargina, usada no tratamento do diabetes tipo 1 e 2. O projeto reúne Bio-Manguinhos (Fiocruz), Biomm e Gan & Lee, com previsão inicial de produzir 20 milhões de frascos para o abastecimento do SUS.
A iniciativa integra a agenda de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) e prevê transferência de tecnologia e cooperação científica. O objetivo é reduzir a dependência externa de insulinas e ampliar o acesso a medicamentos no sistema público.
A produção será escalonada: inicialmente, o envase e a rotulagem serão feitos no Brasil pela Biomm, utilizando Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) importado da Gan & Lee. Em uma etapa posterior, o IFA passará a ser produzido no país, no Centro Tecnológico em Insumos Estratégicos (CTIE) da Fiocruz, em Eusébio (CE).
Metas do acordo
A parceria visa reduzir gradualmente a dependência de importações ao migrar da compra de IFA para a produção nacional, fortalecendo a segurança de abastecimento e a balança comercial, além de reforçar a cadeia nacional de insumos estratégicos, estimulando fornecedores, logística, biotecnologia e indústria química. Outro objetivo é gerar economia ao SUS, com menor custo logístico e menor impacto de variações cambiais sobre o preço dos medicamentos.
“Este MoU amplia possibilidades de tratamento de doenças importantes para a saúde pública, como cânceres e doenças autoimunes, ao mesmo tempo que reforça a nossa parceria com a empresa. A insulina glargina já é utilizada na China há mais de 20 anos e essa cooperação abre novas possibilidades de desenvolvimento tecnológico e de estudos clínicos”, destacou Cruz.
(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik/anilorac)
Sentimento de insatisfação na carreira nem sempre está ligado apenas ao cansaço, explicam especialistas
Criminosos estão comprometendo ferramentas usadas por desenvolvedores, criando ciclo de infecções capaz de atingir milhares…
Estudos apontam mudanças em áreas do cérebro ligadas à aprendizagem, memória e tomada de decisões