Mercado aponta declínio do dólar em projeções para o futuro próximo
Declínio do dólar – Atualmente, os Estados Unidos representam aproximadamente 25% do PIB global, e o dólar permanece como o eixo central do sistema financeiro internacional. De acordo com o FMI, cerca de 57% das reservas internacionais dos bancos centrais ainda são mantidas em dólares. No comércio exterior, a moeda também domina: 54% das exportações mundiais são precificadas em dólar, segundo dados do Atlantic Council.
O predomínio é ainda mais evidente nos mercados financeiros. Cerca de 60% dos empréstimos e depósitos internacionais são realizados em dólar, assim como 70% das emissões de títulos. Nas transações cambiais, a moeda americana está presente em 88% das operações. Até mesmo o dinheiro físico reflete essa supremacia: quase metade de todas as cédulas de dólar em circulação estão fora dos EUA, conforme dados do Fed.
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Apesar disso, especialistas começam a identificar sinais de fragilidade e erosão, o que pode marcar o declínio da hegemonia do dólar no cenário global.
Uma reportagem do Financial Times indica que a confiança na moeda está sendo abalada pelos impactos da guerra comercial liderada pelo governo americano, cujas tarifas impostas recentemente afetaram mais de 100 países.
“Mesmo com o recuo de Trump nas tarifas, o dano já foi feito”, afirmou George Saravelos, do Deutsche Bank. Para ele, o mercado está reavaliando o papel do dólar como reserva global, em um processo que ele chama de “desdolarização acelerada”.
Investidores estrangeiros detêm quantias significativas de ativos em dólar: US$ 19 trilhões em ações americanas, US$ 7 trilhões em títulos do Tesouro dos EUA e US$ 5 trilhões em papéis corporativos, segundo Torsten Sløk, economista-chefe da Apollo. Se apenas uma parcela desses investidores reduzir suas exposições, a pressão sobre a moeda pode aumentar consideravelmente.
No entanto, a substituição do dólar enfrenta a falta de opções viáveis por enquanto. O euro depende do alinhamento de 20 nações; o yuan, apesar do peso econômico da China, ainda sofre com controles cambiais; franco suíço e iene japonês são considerados moedas de menor escala para assumir o posto de reserva global.
Ainda assim, há expectativas de que o dólar perca força. O Goldman Sachs estima que a moeda americana pode cair para 1,20 por euro e 135 ienes por dólar em até 12 meses — uma desvalorização de aproximadamente 6% em relação aos patamares atuais.
Em um relatório recente, analistas do banco destacam que questões institucionais nos EUA estão minando o “privilégio exorbitante” de seus ativos, o que pode pressionar o dólar no longo prazo.
Na mesma reportagem do Financial Times, Stephen Jen, da Eurizon SLJ Capital, vai além. Ele estima que o dólar está atualmente 19% acima do seu valor justo em relação às principais moedas. Caso a economia americana desacelere e o Fed seja forçado a cortar juros drasticamente, a queda pode se intensificar.
(Com informações de Veja)
(Foto: Reproduçãp/Freepik/8photo)
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