Novo consignado privado juros médios mais altos que o modelo anterior
Novo consignado – As taxas de juros do novo consignado privado estão mais elevadas em comparação com a linha tradicional, que dependia de acordos diretos entre bancos e grandes empresas. Nos primeiros dias de operação, os valores cobrados têm flutuado significativamente, indo de 3% a 6% ao mês, enquanto a média da modalidade anterior era de 2,9%.
No lançamento do produto, o governo estimava que os juros ficariam 40% abaixo do crédito pessoal sem garantia (que gira em torno de 6,1%), o que equivaleria a aproximadamente 3,7%.
Diante das taxas mais altas do que o previsto, o governo Lula ajustou sua estratégia de comunicação, passando a alertar a população sobre os custos elevados cobrados pelas instituições financeiras. Além disso, destacou a importância de iniciativas de educação financeira para evitar o aumento do endividamento.
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Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgados na quarta-feira (2) revelaram que o programa já liberou R$ 3,1 bilhões em empréstimos para 500 mil trabalhadores. Pela primeira vez, o relatório incluiu um aviso.
“O Governo Federal recomenda atenção às taxas antes da contratação”, diz o texto, que também “reforça a orientação para que os trabalhadores comparem as taxas de juros, realizem a operação com cautela e priorizem o uso do crédito para quitar dívidas”.
Especialistas do mercado apontam alguns motivos para as taxas mais altas do novo consignado. Um deles é que, no modelo antigo, o empréstimo estava disponível apenas para funcionários de grandes empresas, considerados de menor risco. Agora, a modalidade abrange todos os trabalhadores. Outro fator é que o sistema ainda está em fase inicial, e espera-se que as taxas diminuam após a resolução de questões operacionais.
Além disso, as primeiras instituições a oferecer o produto foram fintechs e financeiras, que atendem a um público com perfil de risco mais elevado e, por isso, costumam cobrar juros maiores. A expectativa é que, com a entrada dos grandes bancos privados, a média de juros caia.
Uma fonte do governo afirmou que as taxas têm ficado acima de 3% ao mês porque a linha tem sido procurada principalmente por pessoas com restrições no nome.
O presidente da Febraban, Isaac Sidney, declarou ao Valor que a preocupação do governo é válida e que as taxas devem reduzir gradualmente. “A nova linha foi criada para oferecer condições melhores em relação ao consignado anterior, e os bancos estão comprometidos em disponibilizá-la com vantagens”, disse. “Isso vai acontecer.”
Sidney ressaltou que, a partir do dia 25 de abril, os bancos poderão oferecer o produto em seus próprios canais, e, em junho, será implementada a portabilidade das operações. “Essas medidas vão contribuir para reduzir custos, riscos e juros”, explicou.
Em julho, está prevista a implementação de um mecanismo que permitirá o uso de até 10% do FGTS como garantia.
O MTE parou de divulgar o número de simulações realizadas e não há menção a isso no comunicado desta semana. Constavam 64,7 milhões de simulações feitas, no fim de março. No total, já foram firmados 501,3 mil contratos, com parcela média de R$ 350,11 e prazo médio de 18 meses. O valor médio do crédito concedido por operação é de R$ 6.284,45.
Segundo fontes do governo, o volume de concessões surpreendeu até os mais otimistas. “Em 20 anos do consignado anterior, a concessão de empréstimo totalizou R$ 40 bilhões. Em pouco mais de duas semanas, já há R$ 3 bilhões em empréstimos”, comparou um alto executivo.
Devido à alta demanda, alguns grandes bancos, que só entrariam no programa no dia 25, anteciparam sua participação. Dados internos mostram que Caixa e Banco do Brasil respondem por 60% dos empréstimos concedidos.
Recentemente, influenciadores financeiros com milhões de seguidores começaram a publicar alertas sobre os riscos do novo consignado devido aos juros elevados.
O governo planeja lançar em breve materiais educativos, incluindo cartilhas e vídeos com a participação de influenciadores, para orientar a população sobre empréstimos conscientes. Iniciativa semelhante foi adotada durante o programa Desenrola, voltado à renegociação de dívidas.
Ao lançar o novo consignado privado, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que o governo poderia intervir e limitar as taxas de juros em caso de abuso. Ele já havia defendido essa medida durante a elaboração da nova linha e mantém essa posição em discussões internas.
(Com informações de Valor Econômico)
(Foto: Reprodução/Freepik/katemangostar)
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