O monopólio da IA: como poucas empresas dominam o mercado
IA – Desde a chegada do ChatGPT, o mercado de chips para inteligência artificial tem sido dominado por um pequeno grupo de empresas. A Nvidia, por exemplo, controla aproximadamente 92% do mercado de aceleradores de IA, componentes essenciais para o funcionamento de ‘chatbots’ e outras aplicações de IA.
Além disso, a produção desses chips depende de um seleto grupo de fornecedores: SK Hynix (Coreia do Sul), Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC) e ASML Holding NV (Holanda). Cada uma dessas empresas possui uma posição de mercado tão consolidada quanto a da própria Nvidia.
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Essa concentração de poder raramente é desafiada, mesmo em um cenário em que órgãos reguladores poderiam intervir por questões de concorrência. No setor de tecnologia, a inovação frequentemente resulta na criação de monopólios de longa duração, como aconteceu com navegadores, mecanismos de busca, redes sociais e sistemas operacionais móveis. No entanto, não é possível precisar por quanto tempo esse domínio persistirá.
Quatro empresas controlam a cadeia de fornecimento da IA
O mercado nunca viu tanta riqueza concentrada em tão poucas empresas. Juntas, Nvidia, TSMC, SK Hynix e ASML possuíam um valor de mercado superior a US$ 4 trilhões em março de 2024. A Nvidia sozinha representava 6% do índice S&P 500, enquanto TSMC e ASML se tornaram as empresas mais valiosas em seus respectivos países. Essas avaliações são baseadas na expectativa de que essas companhias continuarão dominando o mercado de IA nos próximos anos.
Apesar do domínio absoluto, concorrentes estão investindo pesado para tentar desafiar a Nvidia. Empresas como Intel, Google e startups de chips buscam alternativas, mas esbarram em dificuldades técnicas e no monopólio consolidado da cadeia de suprimentos. Ainda assim, há incertezas sobre a longevidade desse domínio, especialmente se a tecnologia mudar drasticamente.
Como o monopólio da Nvidia se formou
Originalmente voltada para o mercado de jogos eletrônicos, a Nvidia desenvolveu GPUs que se mostraram ideais para aprendizado profundo, a base dos modelos de IA modernos. Jensen Huang, CEO da empresa, investiu cedo nesse nicho, fornecendo chips para a OpenAI ainda em 2016.
“No início, foi quase um acidente”, afirma Jason Furman, professor de economia em Harvard. “Depois, eles souberam capitalizar esse acidente.”
O diferencial da Nvidia não está apenas nos chips, mas no ecossistema de software que criou, especialmente a linguagem CUDA, que se tornou essencial para o desenvolvimento de IA. Esse monopólio de software dificulta que concorrentes lancem alternativas viáveis, pois a maioria dos engenheiros está treinada no sistema da Nvidia.
O papel de SK Hynix, TSMC e ASML na dominação do setor
Para que os chips da Nvidia funcionem, eles precisam de memória de alto desempenho, fornecida quase exclusivamente pela SK Hynix, que domina 80% do mercado de chips de memória de alta largura de banda (HBM). Enquanto isso, a produção dos chips da Nvidia é terceirizada para a TSMC, que praticamente monopoliza a fabricação de aceleradores de IA produzindo 99% dos chips desse segmento.
Já a ASML possui o monopólio mais absoluto: é a única empresa no mundo que fabrica máquinas de litografia ultravioleta extrema (EUV), essenciais para a produção de semicondutores avançados. Cada uma dessas máquinas custa cerca de US$ 380 milhões, e nenhum concorrente se aproxima de sua tecnologia.
Preços altos e falta de alternativas
A concentração monopólica permitiu a essas empresas elevar os preços. Os chips da Nvidia, por exemplo, chegaram a custar US$ 90 mil cada nos últimos anos. Ao mesmo tempo, a margem bruta da empresa ultrapassa 70%, um patamar extremamente alto mesmo no setor de tecnologia. A falta de concorrência direta faz com que consumidores não tenham escolha senão pagar preços elevados.
Big techs, como Microsoft, Google, Amazon e Meta, são os principais compradores dos produtos da Nvidia. Essas empresas investiram bilhões na construção de data centers para suportar o crescimento da IA, mas enfrentam dificuldades para obter GPUs suficientes para atender a demanda.
Como resultado, algumas dessas empresas, incluindo a própria OpenAI, estão tentando desenvolver seus próprios chips para reduzir a dependência da Nvidia.
O monopólio irá durar?
O histórico do mercado de tecnologia sugere que monopólios tendem a persistir por longos períodos. Empresas como IBM, Microsoft e Google mantiveram posições dominantes por décadas. No entanto, em alguns casos, regulações e inovações inesperadas levaram esses impérios à queda. A ascensão da Apple e do Google na era dos smartphones ocorreu após processos antitruste contra a Microsoft, por exemplo.
No caso da Nvidia, o rápido avanço da tecnologia de IA pode abrir espaço para concorrentes. A startup chinesa DeepSeek, por exemplo, desenvolveu um modelo competitivo de IA com um orçamento muito menor do que o esperado, causando uma queda temporária de US$ 600 bilhões no valor da Nvidia. Embora a empresa tenha se recuperado, isso demonstra que alternativas podem surgir e abalar o mercado.
Por enquanto, o domínio da Nvidia e de seus parceiros segue inquestionável. No entanto, o mercado de IA é volátil e sujeito a mudanças inesperadas. A história da tecnologia mostra que, mesmo os monopólios mais sólidos, eventualmente, são desafiados.
(Com informações de Bloomberg)
(Foto: Reprodução/Freepik/DC Studio)
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