Para impulsionar IA, big techs investem 8 bilhões em reatores nucleares
Reatores nucleares – Estima-se que desenvolvedores de reatores nucleares modulares pequenos (SMRs, na sigla em inglês) arrecadaram cerca de 1,5 bilhão (cerca de R$ 8,5 bilhões na cotação atual) em financiamento no último ano. Tais valores se dão dentro do contexto em que há aumento de investidores interessados devido a acordos de fornecimento de energia com grandes empresas de tecnologia.
Também houve a promessa de bilhões de dólares em apoios governamentais em meio a corrida mundial para desenvolver tecnologias essenciais ao fortalecimento de inteligências artificiais.
LEIA: MPT investiga 32 empresas de São Paulo por prática antissindical
A X-energy protagonizou a maior captação de recursos neste mês, com os valores de US$ 700 milhões. Trata-se de uma empresa estadunidense que adicionou a Jane Street e outros investidores institucionais a um registro que incluía Amazon, Ken Griffin, fundador e CEO da Citadel, e a empresa química Dow.
Já a parisiense Newcleo, arrecadou US$ 151 milhões em setembro. Outras empresas dos EUA Blue Energy e Last Energy arrecadaram US$ 45 milhões e US$ 40 milhões, respectivamente, no ano passado.
Arrecadando US$ 134 milhões em 2024, a desenvolvedora de microrreatores Nano Nuclera Energy, abriu o capital em maio.
A empresa, juntamente com outras duas desenvolvedoras de reatores nucleares modulares listadas em Nova York – Oklo e NuScale – arrecadaram mais US$ 700 milhões com vendas de ações e outros mecanismos de financiamento nos últimos 12 meses. Os dados estão de acordo com uma análise da Financial Times de registros públicos e dados da PitchBook e BloombergNEF.
60 projetos de reatores
Cerca de 60 projetos de reatores nucleares modulares em todo mundo estão recebendo investimentos de empresas como Westinghouse, Rolls-Royce, Holtec International, GE Hitachi e a TerraPower de Bill Gates, conforme apontam informações divulgadas pela World Nuclear Association.
Após deterioração de um mercado de financiamento em 2023 devido às altas taxas de juros e à inflação, o mercado foi abalado em outubro. Isso se deve a compra de uma participação na X-energy pela Amazon e a assinatura de um acordo de fornecimento de energia pela Google com a desenvolvedora de reatores nucleares modulares Kairos Power.
Já a Oklo e a NuScale tiveram um aumentou nos preços das ações impulsionado pela melhora no sentimento dos investidores. Combinados, os valores de mercado aumentaram em quase US$ 8 bilhões após os acordos.
Alguns investimentos de capital de risco em estágios iniciais foram incentivados por isso. Consequentemente mais opções para os desenvolvedores de reatores nucleares modulares.
A empresa que projeta reatores para a indústria naval Core Power, sediada no Reino Unido, afirmou ao Financial Times que a finalização de uma rodada de captação de recursos de US$ 500 milhões com investidores estratégicos.
Já a Holtec Internacional, disse que está explorando opções de financiamento. Ela faz parte de um grupo com quatro empresas pré-selecionadas em uma competição do governo do Reino Unido.
De acordo com o CEP da X-energy, Clay Sell “houve uma mudança dramática nos mercados de capitais para empresas como a nossa”. Ele acrescentou que os acordos recentes demonstraram como a indústria de tecnologia entende o papel da energia nuclear como uma opção energética limpa e confiável.
Nos Estados Unidos, a crescente demanda por energia causada em parte pelo lançamento de diversos centros de dados de IA, tem levado ao financiamento de parte dos custos necessários para implantação de energia nuclear.
A Microsoft, por exemplo, assinou um acordo com a Constellation Energy no último ano. Os termos visam reabrir a usina nuclear em Three Mike Island na Pensilvânia e ressaltam o seu valor como fonte de energia sem emissões e que não prejudicaria metas climáticas.
Reatores modulares em alta
Há, porém, poucas usinas nuclearas em que a reiniciação é possível nos Estados Unidos. Já a construções de novos reatores padrão é considerada arriscada devido a um recente histórico de estouros de orçamento e atrasos prolongados.
Dessa forma, os reatores nucleares modulares estão atraindo os olhares da indústria de tecnologia. Eles têm capacidade de energia de 300 MW e cerca de um terço do tamanho das instalações padrão.
Presidida por Sam Altman da OpenAI, a Oklo assinou um acordo não vinculativo com a Switch Inc, uma grande operadora de centros de dados privados. O motivo é a construção de reatores com capacidade total de 12 gigawatts. Capaz de fornecer energia às 7,6 milhões de residências no estado de Nova York.
Já a Meta está avaliando propostas de desenvolvedores de reatores modulares. A ideia é a formulação de um contrato para fornecer até 4 gigawatts de capacidade, que apoiará o lançamento de seus centros de dados no início dos anos 2030.
Ainda assim, existem diversos riscos técnicos, regulatórios e até de financiamento, conforme pontuaram analistas.
Apesar da melhora na confiança, a NuScale é a única desenvolvedora de reatores nucleares modulares com um projeto aprovado pela Comissão Reguladora Nuclear dos EUA (NRC, na sigla em inglês).
Outras empresas apresentaram seus pedidos de licença de construção à NRC. A TerraPower, por exemplo, fez isso no ano passado e iniciou os trabalhos de construção em um terreno no Wyoming. A maioria das empresas, porém, ainda não iniciou o processo.
Investimento do Estado
Já das empresas de tecnologia, os desenvolvedores querem a finalização de dezenas de acordos que lhes forneçam certeza financeira.
Marc Bianchi, analista do banco de investimento TD Cowen afirmou que “para ver mais projetos de reatores nucleares modulares anunciados e avançando, precisamos ver acordos vinculativos, em vez de memorandos”.
De um modo geral, os investidores afirmam que o financiamento governamental é fundamental aos desenvolvedores. Isso se deve ao alto risco associado a uma tecnologia inédita, assim como o histórico de atrasos e estouros de orçamento que tem prejudicado projetos nucleares.
“Precisamos ter dólares federais. Não posso enfatizar o suficiente”, disse Caroline Golin, chefe de desenvolvimento de mercado de energia do Google, em uma conferência do Instituto de Energia Nuclear em Nova York na semana passada.
Durante o governo de Joe Biden houve promessas de bilhões de dólares em subsídios para x-energy, TerraPower e outros desenvolvedores, o que impulsionou a indústria. Também ocorreu o oferecimento de créditos fiscais de produção de até 50% para apoiar a implantação de SMRs na Lei de Redução da Inflação.
Donald Trump, porém, visando revogar a medida, congelou bilhões de dólares em empréstimos destinados ao setor de energia limpa, o que levantou preocupações na indústria de financiamento.
A esperança está em Chris Wright, novo secretário do Departamento de Energia e que fez parte do conselho de Oklo. Além disso, o Partido Republicano é um defensor histórico da energia nuclear.
“Permanecemos confiantes”, disse Sell da X-energy. “O presidente falou extensivamente sobre o papel que a energia nuclear deve desempenhar nessa estratégia de dominação energética, o que apoiamos fortemente.”
(Com informações de Folha de S. Paulo/Financial Times)
(Foto: Freepik/Reprodução/jplenio1)
Sentimento de insatisfação na carreira nem sempre está ligado apenas ao cansaço, explicam especialistas
Criminosos estão comprometendo ferramentas usadas por desenvolvedores, criando ciclo de infecções capaz de atingir milhares…
Estudos apontam mudanças em áreas do cérebro ligadas à aprendizagem, memória e tomada de decisões