O projeto é considerado um avanço para o setor energético (Foto: Reprodução/Magnific/Bunanan)
Primeira célula de bateria – O Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica, em parceria com a AXIA Energia, antiga Eletrobras, concluiu um projeto inédito para o setor energético brasileiro. A iniciativa, desenvolvida em Curitiba, resultou na fabricação da primeira célula prismática do país produzida com material ativo integralmente nacional.
De acordo com o coordenador do Departamento de Energia do instituto, Emerson de Freitas, o Brasil depende atualmente da importação de baterias de íons de lítio.
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Diante desse cenário, o projeto teve como objetivo ampliar a capacidade tecnológica nacional, dominando tanto a fabricação das células quanto a produção dos materiais ativos utilizados em sua composição.
“A menor unidade da bateria ainda é uma caixa-preta para o Brasil. O projeto permitiu desenvolver conhecimento sobre como essa célula é construída e como produzir essa tecnologia nacionalmente”, explica o pesquisador.
Segundo Emerson, a equipe conseguiu desenvolver em território nacional a tecnologia LFP (Lítio-Ferro-Fosfato), considerada um dos componentes centrais das baterias por ser responsável pelo armazenamento de energia em veículos elétricos e diversos equipamentos eletrônicos.
O coordenador ressalta que a iniciativa foi conduzida dentro dos programas de inovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Embrapii, com o objetivo de criar soluções estratégicas para o setor elétrico. As primeiras discussões ocorreram em 2020, enquanto a contratação oficial aconteceu em 2022. O projeto teve duração de 42 meses.
Concluído no início deste ano, o trabalho reuniu dezenas de profissionais, incluindo pesquisadores, técnicos e representantes da indústria.
De que maneira isso vai impactar o consumidor final?
Mais do que um avanço tecnológico, a iniciativa desenvolvida em Curitiba possui relevância estratégica para o futuro energético do país. Segundo Emerson, a expansão das fontes renováveis torna fundamental o desenvolvimento de sistemas de armazenamento de energia.
O Brasil, por exemplo, já ocupa posição de destaque global na geração de energia limpa. Conforme a edição mais recente da Resenha Energética Brasileira, divulgada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) em dezembro de 2025, as fontes renováveis representaram aproximadamente 50% da matriz energética nacional em 2024.
O resultado foi impulsionado pelo crescimento de 33,2% da geração solar e de 12,4% da eólica.
“Não existe transição energética sem armazenamento de energia. As baterias resolvem justamente o problema da intermitência das fontes renováveis, como a solar, por exemplo. Você tem sol durante o dia, mas o maior consumo é durante a noite, então você precisa armazenar”, explica.
O pesquisador compara a situação ao período da pandemia de Covid-19, quando países que possuíam domínio sobre a fabricação de vacinas conseguiram reagir com mais rapidez à emergência sanitária. Na avaliação dele, fortalecer a cadeia produtiva nacional de baterias contribui para ampliar a segurança tecnológica, gerar empregos qualificados e agregar valor aos recursos minerais brasileiros.
Atualmente, grande parte dos minerais utilizados na fabricação de baterias é exportada pelo Brasil, enquanto os produtos finais são adquiridos no exterior. Para Emerson, iniciativas como a desenvolvida na capital paranaense podem reduzir essa dependência e criar condições para que o país dispute espaço no mercado futuramente. “Quebra-se um ciclo vicioso e gera-se um valor local”, destaca.
Pesquisadores buscam ampliar resultados do projeto
Mesmo após o encerramento da iniciativa, os trabalhos devem continuar. Segundo Emerson, o instituto já está estruturando um novo programa que deverá ser colocado em prática até o fim deste ano.
A proposta é utilizar uma nova infraestrutura tecnológica capaz de ampliar significativamente a capacidade produtiva. Enquanto, durante o primeiro projeto, a fabricação de uma única célula levava cerca de três meses, a nova etapa permitirá produzir uma unidade a cada 15 minutos.
A expectativa é que, no futuro, as baterias desenvolvidas no país possam ser empregadas em veículos elétricos e em diferentes sistemas de armazenamento energético. Além dos avanços tecnológicos, a produção realizada em Curitiba também apresenta benefícios ambientais e econômicos, uma vez que o modelo proposto busca maior sustentabilidade ao longo da cadeia produtiva.
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(Com informações de Bem Paraná)
(Foto: Reprodução/Magnific/Bunanan)
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