startup-brasileira-ia-juridica-novo-unicornio
Startup brasileira – O uso de inteligência artificial no setor jurídico tem avançado rapidamente e começa a redesenhar a forma como empresas lidam com litígios. Esse movimento ganhou novo fôlego após a startup brasileira de tecnologia jurídica Enter anunciar uma rodada de investimentos de US$ 100 milhões, elevando sua avaliação para US$ 1,2 bilhão e consolidando o status de “unicórnio”, termo usado para startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão.
Com sede em São Paulo, a empresa aposta em sistemas de IA capazes de automatizar todas as etapas de um processo judicial, especialmente em um ambiente como o brasileiro, marcado pelo alto volume de ações de consumo e trabalhistas. A proposta é substituir tarefas repetitivas e operacionais por agentes inteligentes que atuam desde o início até a conclusão dos casos.
LEIA: YouTube tem faixa etária elevada em decisão que cita ‘Novela das frutas’
Automação integral e agentes de IA
A evolução dessas ferramentas está na capacidade de operar de forma quase autônoma. Segundo o cofundador e CEO Mateus Costa-Ribeiro, a tecnologia atua em todas as fases do processo.
“Cada etapa que você pode imaginar em um caso judicial é primeiro conduzida por um agente de IA antes de envolver um humano”, afirmou à Bloomberg.
Na prática, isso significa que sistemas baseados em IA conseguem elaborar peças jurídicas, calcular custos de acordos e até buscar dados específicos, como condições climáticas relacionadas a disputas, sem intervenção humana direta. Esse nível de automação tem potencial para reduzir significativamente o tempo de resolução dos casos.
Integração com sistemas e ganhos de eficiência
Outro fator relevante é a capacidade dessas soluções de se integrarem a infraestruturas tecnológicas já existentes nas empresas, muitas vezes consideradas antigas ou fragmentadas. Para isso, são utilizados engenheiros dedicados à adaptação dos sistemas, garantindo que a IA opere de forma eficiente dentro dos fluxos corporativos.
Esse modelo tem permitido lidar com grandes volumes de processos de forma mais ágil. Atualmente, a Enter já ultrapassou a marca de 300 mil casos gerenciados por ano, com muitos deles sendo resolvidos em dois a três meses, um prazo significativamente menor em comparação aos trâmites tradicionais.
Crescimento do mercado de IA jurídica
A expansão da inteligência artificial no direito não é um caso isolado. Uma nova geração de empresas focadas nesse segmento tem atraído investimentos robustos, refletindo o interesse crescente em soluções capazes de aumentar a produtividade e reduzir custos no setor.
Startups como Harvey e Legora também alcançaram avaliações bilionárias recentemente, enquanto desenvolvedoras como Anthropic PBC ampliam sua atuação em aplicações jurídicas. O cenário indica uma tendência de consolidação e competição em escala global.
Modelo de negócios e expansão
O modelo adotado combina cobrança antecipada pelo uso da tecnologia com remuneração atrelada ao sucesso dos processos, cerca de 30% da receita depende dos resultados obtidos. Esse formato reforça o alinhamento entre eficiência operacional e desempenho jurídico.
Com mais de 45 clientes, incluindo empresas de setores regulados como o bancário, a Enter planeja expandir suas operações para outras regiões, embora ainda não tenha detalhado quais mercados serão priorizados. A empresa também pretende ampliar sua equipe de cerca de 100 para 150 funcionários.
(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Magnific/deepart100)
Sentimento de insatisfação na carreira nem sempre está ligado apenas ao cansaço, explicam especialistas
Criminosos estão comprometendo ferramentas usadas por desenvolvedores, criando ciclo de infecções capaz de atingir milhares…
Estudos apontam mudanças em áreas do cérebro ligadas à aprendizagem, memória e tomada de decisões