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Jornada de 44 horas semanais – A jornada semanal de 44 horas ainda é realidade para 70% dos trabalhadores no país. O percentual cresce significativamente entre pessoas com menor nível de escolaridade e diminui conforme aumenta a formação acadêmica.
Entre trabalhadores com até o ensino médio completo, a incidência chega a 83%. Já no grupo com ensino superior, o índice recua para 53%. A diferença também aparece na remuneração: enquanto a média mensal para vínculos de 40 horas semanais é de R$ 6.211, quem cumpre 44 horas recebe menos da metade desse valor, o equivalente a 42,3%.
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O levantamento, assinado pelos técnicos de planejamento e pesquisa Felipe Pateo e Joana Melo, além da bolsista Juliane Círiaco, aponta que a carga horária mais extensa está concentrada em funções menos especializadas nos setores da indústria, agropecuária e comércio. Técnicos e profissionais com nível superior, mesmo quando atuam nessas áreas, tendem a ter jornadas menores.
Para Pateo, a discussão sobre a redução da jornada máxima deve considerar não apenas possíveis efeitos econômicos, mas também os ganhos sociais. Segundo ele, eventuais impactos sobre o Produto Interno Bruto (PIB) precisam ser avaliados junto a benefícios como melhora na qualidade de vida, maior disponibilidade de tempo para cuidados e possíveis reflexos positivos na saúde da população.
Jornada de trabalho na TI
Apesar de a CLT permitir jornada de 44 horas semanais, a carga horária máxima para os profissionais de TI de diversas localidades já é de 40 horas, isso porque a Fenati (Federação Nacional dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação) conquistou a redução da jornada em estados como São Paulo e Paraná, além de praças como Uberlândia, por meio das Convenções Coletivas de Trabalho firmadas pelos sindicatos desses locais.
Os acordos demonstram que a redução é viável, e a intenção da federação é ampliar esse modelo para todo o país, padronizando a jornada de 40 horas semanais para os profissionais de TI nacionalmente.
Impacto estimado abaixo de 1%
O estudo também analisa os efeitos de uma eventual redução da jornada para 40 horas semanais. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os custos poderiam ser assimilados rapidamente pelo mercado, em patamar semelhante ao observado em reajustes históricos do salário-mínimo.
Nos grandes setores, como indústria e comércio – que reúnem mais de 13 milhões de trabalhadores – o impacto direto estimado ficaria abaixo de 1% do custo operacional.
Os especialistas explicam que, mantida a remuneração nominal, a diminuição da carga horária aumenta o valor da hora trabalhada na mesma proporção do reajuste do salário-hora. Nesse cenário, o custo médio do trabalho com carteira assinada subiria 7,84%. Ainda assim, considerando o peso da mão de obra no total das despesas de cada setor, o efeito final projetado permaneceria inferior a 1% tanto na indústria quanto no comércio.
(Com informações de Extra)
(Foto: Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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