Uso do ChatGPT em planejamento de massacre leva OpenAI a ser investigada
ChatGPT – O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, anunciou nesta terça-feira (21) a abertura de uma investigação criminal envolvendo a OpenAI. O foco é o possível envolvimento do ChatGPT no planejamento de um ataque a tiros ocorrido em 2025 na Florida State University (FSU). De acordo com a acusação, a ferramenta teria atuado como um “conselheiro” para o atirador, Phoenix Ikner, ao fornecer detalhes logísticos que poderiam aumentar o número de vítimas.
LEIA: Estudo revela ‘efeito espelho’ em IA que reage com agressividade
A apuração se apoia em mais de 200 mensagens retiradas do histórico de conversas do suspeito. Segundo Uthmeier, o ChatGPT não se limitou a responder perguntas sobre armamentos e munições, mas também teria indicado horários de maior circulação no campus e áreas com grande concentração de pessoas como potenciais alvos.
“Se fosse uma pessoa do outro lado daquela tela, nós a acusaríamos de homicídio em primeiro grau”, declarou o procurador durante coletiva em Tampa. A investigação tenta identificar se houve negligência da OpenAI diante de sinais de comportamento de risco ou se falhas no design do sistema permitiram que o suspeito driblasse mecanismos de segurança para obter orientações táticas. “Portanto, vamos analisar quem sabia o quê, quem projetou o quê ou quem deveria ter feito mais”
Em posicionamento oficial, a OpenAI classificou o episódio como uma tragédia, mas rejeitou qualquer responsabilidade criminal. A empresa sustenta que o ChatGPT apenas disponibilizou informações de caráter factual, já acessíveis publicamente, e que não incentivou ações ilegais.
Registros indicam que Ikner chegou a ser banido da plataforma meses antes do ataque, mas conseguiu contornar os sistemas de controle e criar uma nova conta.
Esse ponto levanta dúvidas sobre a eficácia dos mecanismos de monitoramento da empresa, que em dezembro de 2025 havia anunciado reforços na revisão humana de casos com potencial risco de violência.
O caso ganha relevância por ultrapassar o campo civil — onde familiares das vítimas já consideram ações judiciais de grande valor — e avançar para a esfera criminal.
Pela primeira vez, autoridades tentam equiparar a resposta de um algoritmo a uma forma de auxílio direto em um crime violento. Caso a investigação resulte em indiciamento, poderá abrir caminho para mudanças profundas nas leis de proteção de dados e na responsabilização de plataformas, encerrando a fase em que empresas de tecnologia alegavam neutralidade sobre o uso de suas ferramentas de inteligência artificial.
(Com informações de Hardware)
(Foto: Reprodução/Freepik/syda_productions)
Sentimento de insatisfação na carreira nem sempre está ligado apenas ao cansaço, explicam especialistas
Criminosos estão comprometendo ferramentas usadas por desenvolvedores, criando ciclo de infecções capaz de atingir milhares…
Estudos apontam mudanças em áreas do cérebro ligadas à aprendizagem, memória e tomada de decisões